|
|
October 23

Espírito que passas, quando o vento Adormece no mar e surge a
Lua, Filho esquivo da noite que flutua, Tu só entendes bem o meu
tormento...
Como um canto longínquo - triste e lento - Que
voga e subtilmente se insinua, Sobre o meu coração, que tumultua,
Tu vertes pouco a pouco o esquecimento...
A ti confio o sonho em que
me leva Um instinto de luz, rompendo a treva, Buscando, entre
visões, o eterno Bem.
E tu entendes o meu mal sem nome, A
febre de Ideal, que me consome, Tu só, Génio da Noite, e mais
ninguém!
Antero September 20
Se é de longe que tu vens,
De um país onde se abrasa
O amor, a fé, a nobreza,
Podes entrar, porque tens
Um abrigo em cada casa
E um lugar em cada mesa!
Mas se trazes a divisa
De te impor, de interceder,
Por favor deixa-nos sós;
O meu país não precisa
Que outros venham resolver
As questões que há entre nós!
Se vens com turvo ideal
Ou com fito de abrir guerra,
Leva contigo os maus trilhos
E diz lá que Portugal
Não cede um palmo de terra
Nem vende a honra dos filhos!
Diz ao mundo, grita aos sóis,
Enche os Céus da nossa glória
Num clarão vasto e profundo,
Que só com sangue de heróis
Portugal ergueu a História
Nas cinco partes do Mundo!
Carlos Conde September 06

I Do Not Love You Except Because I Love You
|
|
|
|
I do not love you except because I love you; I go from loving to not loving you, From waiting to not waiting for you My heart moves from cold to fire.
I love you only because it's you the one I love; I hate you deeply, and hating you Bend to you, and the measure of my changing love for you Is that I do not see you but love you blindly.
Maybe January light will consume My heart with its cruel Ray, stealing my key to true calm.
In this part of the story I am the one who Dies, the only one, and I will die of love because I love you, Because I love you, Love, in fire and blood.
Pablo Neruda
| |
| August 18


A UM POETA
-
Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares, Como um levita à sombra dos altares, Longe da luta e do fragor terreno,
Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno, Afugentou as larvas tumulares... Para surgir do seio desses mares, Um mundo novo espera só um aceno...
Escuta! é a grande voz das multidões! São teus irmãos, que se erguem! são canções... Mas de guerra... e são vozes de rebate!
Ergue-te pois, soldado do Futuro, E dos raios de luz do sonho puro, Sonhador, faze espada de combate!
Antero de Quental
August 09

"Um dia a lágrima disse ao sorriso: invejo-te porque vives sempre feliz. O
sorriso respondeu: engana-te, pois muitas vezes sou apenas o disfarce da tua
dor." July 27

Soneto de Inês
Dos olhos corre a água do Mondego os cabelos parecem os choupais Inês! Inês! Rainha sem sossego dum rei que por amor não pode mais.
Amor imenso que também é cego
amor que torna os homens imortais.
Inês! Inês! Distância a que não chego
morta tão cedo por viver demais. Os teus gestos são verdes os teus braços são gaivotas poisadas no regaço dum mar azul turquesa intemporal.
As andorinhas seguem os teus passos
e tu morrendo com os olhos baços Inês! Inês! Inês de Portugal. José Carlos Ary dos Santos
July 19

We, who have seen the new moon grow old together, Who have seen winter
rime the fields and stones As though it would claim earth and water forever,
We who have known the touch of flesh and the shape of bones Know the old
moon stretching its shadows across a whitened field More beautiful than
spring with all its spate of blooms; What passion knowledge of tried flesh
still yields, What joy and comfort these familiar rooms.
In the moonless, lampless dark now of this bed My body knows each line
and curve of yours; My fingers know the shape of limb and head: As pure
as mathematics ecstasy endures. Blinded by night and love we share our
passion, Certain of burning flesh, of living bone: So feels the sculptor
in the moment of creation Moving his hands across the uncut stone.
I know why a star gives light Shining quietly in the night;
Arithmetic helps me unravel The hours and years this light must travel
To penetrate our atmosphere. I can count the craters on the moon
With telescopes to make them clear. With delicate instruments I can
measure The secrets of barometric pressure.
And therefore I find it inexpressibly queer That with my own soul I am
out of tune, And that I have not stumbled on the art Of forecasting the
weather of the heart.
Madeleine L'Engle
July 02

Tua sede de mim, revela-se em tuas mãos Percorrem caminhos já conhecidos Sinto na minha boca, o teu gosto Me quer assim...tem sede de mim Latente, quente, envolvente É teu corpo dançando sobre o meu Tango, bolero, ritmos alucinantes Me quer assim...tem sede de mim Sem demora vai valsando as delicias prateadas Perdido entre beijos e toques, acelera E nos teus braços, o abraço Me quer assim...tem sede de mim Tua sede corta a carne feito navalha Olho do furacão, abismo do prazer Tua língua, um doce paraíso Me quer assim...tem sede de mim Tua boca em desacerto e sons desafinados Prazer irrefreável me rasga o ventre Não vê as imperfeições Me quer assim...tem sede de mim Voce em mim...Saliva solvendo Noite em tradução... amor vivido Transpiração, insensatez...gozo Me quer assim...tem sede de mim
Rozeli Mesquita
June 30 Nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu riso, porque então morreria.
|
|
|
|